quarta-feira, 25 de junho de 2008

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Ontem botei um ponto final em uma fase da minha vida.
Às 19 horas foi a banca de avaliação do meu TCC, foi a conclusão dos acontecimentos dos últimos 6 anos da minha vida, ou pelo menos assim eu quero encarar, já que essas coisas são meras convenções bobinhas.
Mas, bobinhas ou não, são balizas que nos ajudam a guiar a vida, principalmente se você é preguiçoso e acomodado, como eu.
Passar pela portaria da faculdade, pelos prédios, até chegar no auditório trouxe lembranças, a maioria legal, graças ao poder que o tempo, e só ele, tem de romantizar e transformar as lembranças, por piores que sejam, em nostalgia.
Lembrei do meu primeiro dia de aula (aula de Argumento com a Lú, que viria a ser boa amiga, além de boa professora)... lembrei da primeira de muitas grandes bobagens que ouvi nos quatro anos lá dentro e até quem disse e lembrei também do trote, tanto do que sofri quanto do que dei.
Lembrei das pessoas que conheci lá, das que foram insiginifcantes e nunca mais vou encontrar, das que foram significantes e encontro de vez em quando e da única que encontro todo dia, a mais significante de todas.
Lembrei das brigas e dos apertos pra fazer os filmes, lembrei de passar noites cansado no estúdio, filmando, rindo, estressando, escapando... Lembrei de como era ainda ter 20 e poucos anos, de como era morar em um apartamento horrível, lembrei de como era esperar ansiosamente por ver um certo alguém nos corredores e dizer um "Oi".
Lembrei de acordar de manhã num fim de semana com o telefone tocando e um então-amigo contando, com aliterações, recentes acontecimentos conjugais secretos, feliz. Lembrei de como foi perder tal amizade. Lembrei de apertos de mãos, de palavras pelas costas, festas (boas e ruins), filmes (bons e ruins), risadas, baladas, neuras, alegrias, medos, provas, trabalhos, correrias, aulas, apostilas, professores (medíocres e bons), desânimos, prêmios, frustrações, elogios e mentiras. Lembrei do meu último dia de aula e suas inutilidades obrigatórias. Lembrei de aprender sobre 35, 16, THX, Dolby, vídeo, roteiro, direção, produção, história do cinema, cinema publicitário, legislações e direitos autorais e depois ignorar isso tudo e fazer as coisas do meu jeito.
Lembrei de nessa época a vida ser bastante diferente de agora. Meu pai ainda era vivo e eu não falava com ele. Eu não tinha passado, como passei, tão perto de morrer. A vida tinha um aspecto menos grave, mesmo que aos trancos e barrancos, minha família ainda era completa, e eu jamais imaginaria que sentiria como senti a perda do meu pai, que nunca viu e nem verá nenhum filme meu e que teve seu nome ontem projetado na tela em homenagem póstuma.
Lembei de muita coisa e pensei: hoje tudo isso acabou.
Quero começar hoje as coisas que vou me lembrar ao meu próximo ponto final, e que esse ponto seja apenas para o começo de um novo parágrafo na história da minha pequena e insignificante vidinha.

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