terça-feira, 24 de março de 2009

it's not how long you live, it's how beautiful it is


Catanduva era pra onde eu ia em todas minhas férias de Natal. Catanduva ou São Paulo, e ambas opções eram ruins. Eu morava em Governador Valadares, outro lugar ruim, e a viagem durava, aproximadamente, 12 horas de um lugar ao outro.
Quando chegava em Catanduva, tinha um tio e meu avô, que era a parte boa, tinham meus primos, outros tios e avó, que eram a parte indiferente. A cidade era uma merda, não tinha nada nunca pra se fazer, era brincar no quintal durante o dia, dormir cedo, acordar no outro dia e, se não chovesse, repetir a mesma coisa. Isso durava uma semana, dez dias, aí eu entraria no carro novamente, viajaria os 1100 quilômetros que separam Ponto A de Ponto B e voltaria pra vidinha em Valadares, que se resumia a jogar videogame, brincar no prédio e matar aula, a parte boa, e apanhar regularmente, morar naquele apartamento bizarro no turbulento casamento de meus pais, a parte ruim. Porém, pegar a estrada era algo que me agradava, eu gostava de ir deitado no banco de tras com minha irmã, ouvindo e cantando Beatles. Olhando pro céu, vendo as paisagens que iam mudando de São Paulo até Minas Gerais, o asfalto correndo. Volta e meia eu vomitava, mas isso não me tirava o prazer da viagem.
Quando a viagem era pra São Paulo, não era muito melhor. Meu tio mora até hoje no mesmo lugar, uma casa bem distante de qualquer coisa agradável ou interessante da cidade, uma simples ida ao cinema se transformava num acontecimento memorável. Acabávamos ficando em casa a maior parte do tempo, assistindo SBT, sujeitos às frescuras de uma prima, às viadagens de um primo e à simpatia de outra. Meus tios, falsos, alternavam mesquinharia e gentilezas, nos tratando como caipirinhas deslumbrados.
Quando acabavam as férias, eram, novamente, os 1000 quilômetros que tínhamos de percorrer. Voltar, mais uma vez pra caipirice confortável, preferível à essa vida de aparências e fingimentos que mergulhavam-nos os parentes da cidade grande, não que nossa vida de interior não tivesse sua própria dose de fingimentos e enganações.
Mais uma vez a parte que mais me agradava era entrar no carro e pegar a estrada. Viajar de São Paulo à Minas esperando, na noite, avistar um disco voador ou alguma coisa fantástica que me fizesse especial, ouvindo Supertramp com a minha irmã e rindo da coincidência de que toda vez que tocava It's Raining Again, chovia. Vibrava quando avistava algum gavião no céu, ficava ansioso por ser o primeiro a ver as luzes da Santa na Ibituruna quando a viagem ia chegando ao fim.
Hoje, quando lembro desses dias da minha infância, vejo que neles estavam uma das lições mais importantes que eu poderia aprender e que só agora, bem mais velho, eu seria capaz de depreender disso tudo algo maior, foi lembrando dessas coisas, dos prazeres e das tristezas que cheguei a conclusão que não me importa de onde eu vim, muito menos pra onde eu vou, apenas a minha viagem.

quarta-feira, 4 de março de 2009

where did all the fun times go?


slowly and slowly he sunk, leaving behind him only inaccurate memories of good times and misplaced smiles.
slowly he sunk into himself and this couldn't be good. he gave away to his idiosyncrasies, his bent backwards perception of everything and everyone.
it never got him anywhere, never taught him anything, so afraid of learning he seemed.
he never fought for anything, all he had fell from the sky, but now it seems the sky has gone dry far too late for him.
he is the one never at bars, never at parties or anyplace else. oblivious to life, he sinks constantly deep into himself, dragging, like a bad turmoil, those unfortunate to be in his path.
always a pretender, no one ever knew the real person behind the acts and when he sees himself reflected on other people he feels sorry for them and scared for himself.
never being able to decide which is the grimmest, the memories of the past or the perspective of the future, he allowed the present to be such as a boat adrift, being drag by the current. developing vices and bad manners, lying and deceiving, the short path he found not so long ago to momentary plateaus of no helplessness.
slowly he sunk into himself leaving behind nothing but... what has he ever left behind? no answer could be precise, for what others perceived, derived from deceptions and what he himself would tell you would be so far buried in the murky depths of melancholia to be believable. somewhere in between the highs and lows of lies and hyperboles might be the truth lost, the appropriate account of a life gone amiss.
where did all the fun times go? as in youth he would listen to the punk ramblings of the long gone. the youthful yearnings which he was once filled with are nowhere to be found, mental polaroids losing it's colors.
could it be possible and so easy to lose everything? blinded, he's afraid he misses the helping hands that scarcely appear during life. has he missed them all by now? are they really helping? who can tell?
he suffers from too many unanswered questions, too many unsolved problems and bad posture, lost in wonderings looking for the fundamental moment where all's gone awry.